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Estudos comprovam que comer macarrão não engorda. Será?

Mas calma, não comece a encher um prato de espaguete ainda!

Aqui vai uma história que faria qualquer italiano se sentir orgulhoso: comer massa pode ter relação com cinturas menores, de acordo com um estudo feito com 23000 pessoas na (adivinha!) Itália.

As pessoas que comem massas tendem a ter menores índices de massa corporal (IMC), circunferências da cintura e do quadril e menores relações cintura-quadril, de acordo com o que pesquisadores do IRCCS Neuromed em Pozzilli anunciaram através de um comunicado em italiano à imprensa intitulado “Massa não engorda, de fato.” (uma publicação em inglês do estudo está disponível no Diário Nature de Nutrição e Diabetes.)

Estamos falando de um componente fundamental da cozinha mediterrânea Italiana, e não há nenhuma razão para não usar“, disse Licia Iacoviello, a chefe do Laboratório de Biologia Molecular e Epidemiologia Nutricional Neuromed, no comunicado à imprensa italiana. “A mensagem que emerge a partir deste estudo, como em outros trabalhos científicos que já surgiram no contexto do Projeto Moli-sani e o INHES, é que quando [se segue] a dieta mediterrânea, com moderação e em uma variedade de todos os seus elementos, massas são um benefício para a sua saúde.”

A análise de dietas e cinturas referenciaram dois estudos existentes: Moli-sani, um estudo com 14.402 pessoas da região de Molise na Itália, e o INHES, um levantamento em toda a Itália com 8.964 pessoas. Os autores analisaram os resultados dessas pesquisas, compararam a quantidade de massas que as pessoas comiam com a sua relação cintura-quadril e o IMC, e, após o ajuste pelas variáveis, descobriram que as pessoas que preferiam uma tradicional dieta mediterrânea eram relativamente mais magras.

O consumo de massas, ao contrário do que muitos pensam, não está associado a um aumento no peso corporal – e sim o contrário“, disse o principal autor do estudo, George Pounis no comunicado à imprensa. “Nossos dados mostram que desfrutar de massas de acordo com as necessidades dos indivíduos contribui para um índice de massa corporal saudável, uma menor circunferência da cintura e melhor relação cintura-quadril.”

Algumas ressalvas

Antes que você sirva um prato cheio de rigatoni a la carbonara, existem algumas coisas que gostaríamos de salientar.

Primeiro: o INHES, um dos estudos que os autores referenciaram, foi financiado pela Barilla S.p.A – que, assim como qualquer conhecedor das massas sabe, é uma grande fabricante de massas e molhos de macarrão. Mas os autores tomam cuidado ao salientar que eram independentes de financiadores e que os financiadores “não tiveram nenhum papel no projeto, coleta, análise e interpretação de dados do estudo.” Tire as suas próprias conclusões.

Segundo: Este estudo foi feito com italianos, e não com americanos ou brasileirs. Os participantes no estudo Moli-sani eram nascidos na Itália, em Molise, uma pequena região do sul da Itália conhecida por sua variada fronteira entre cultura e paisagens. E para o estudo INHES, os participantes reportaram o próprio peso, altura, circunferência da cintura e do quadril. Isso não quer dizer que os dados são ruins, mas sim limitados para um público brasileiro, simplesmente porque não se pode refletir nas mesmas condições em que os consumidores brasileiros vivem. E embora os autores digam que seus resultados “estão de acordo com” um estudo feito com 1794 norte-americanos de meia-idade em 2012, sugerindo que comer massas tem relação com um IMC mais baixo, esse estudo também pode ser muito reduzido para quaisquer conclusões abrangentes.

Terceiro, e sem dúvida o mais importante: entenda que o estudo não diz que comer massas irá torná-lo mais magro. (Veja a ressalva um, fornecida pela Barilla.) Na verdade, os pesquisadores disseram que as pessoas obesas em ambos os estudos (Moli-sani e INHES) comeram mais massas do que as pessoas normais ou simplesmente com sobrepeso. As pessoas desses grupos que comiam mais massas apenas tendiam a ficarem menos obesas ao controlar outras variáveis.

Então, qual é o ponto chave?

Como diz o professor Lacoviello, massas são saudáveis de acordo com a proporção como parte de uma dieta mediterrânea, o que faz completo sentido. A Dieta Mediterrânea — aquela rica em carnes magras, tais como peixe, gorduras saudáveis como o azeite, e uma abundância de frutas e legumes – está ligada a benefícios na saúde, desde a manutenção de peso até a saúde do cérebro e a redução de riscos de doenças crônicas.

E quando utilizadas da maneira correta, as massas viram uma opção perfeitamente saudável.  “Algumas pessoas têm dito que qualquer carboidrato é ruim, mas isso simplesmente não é verdade, e é uma noção não saudável,” disse o Dr. Giovanni Campanile, diretor do Programa de Reabilitação Cardíaca Intensiva Dean Ornish e diretor de Cardiologia e Nutrição Integrada no Centro Administrativo para o Bem-Estar.

Então, se você quiser trabalhar isso, foque em massas integrais, ou tente uma massa feita com legumes. Melhor ainda, coloque as suas habilidades culinárias em prática.

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